Há pessoas competentes que passam despercebidas num lugar e fazem a diferença noutro.
Não porque tenham mudado de repente. Mas porque encontraram um contexto onde aquilo que sabem, a forma como trabalham e o que podem acrescentar faz sentido.
Quando pensamos em pessoas e trabalho, é fácil procurar respostas rápidas. Experiência. Formação. Conhecimentos técnicos. Resultados anteriores.
Tudo isso conta. Mas não conta tudo.
Uma pessoa pode ter um excelente percurso e não ser a escolha certa para determinada função. Outra pode não cumprir todos os requisitos imaginados e, ainda assim, trazer precisamente aquilo que fazia falta.
É por isso que falar da “pessoa certa” exige mais do que olhar para um currículo. Exige perceber o que aquele lugar pede.
Que desafios existem? Que competências são realmente indispensáveis? O que pode ser aprendido? Que forma de trabalhar funciona naquele contexto? O que é necessário acrescentar ao que já existe?
Quando estas perguntas não são feitas, torna-se fácil procurar perfis genéricos ou criar listas de requisitos tão extensas que quase ninguém consegue corresponder-lhes.
E há outro risco: procurar alguém que tenha tudo.
A pessoa com experiência, conhecimento técnico, capacidade de liderança, criatividade, rapidez, autonomia, excelente comunicação, adaptação imediata e ainda uma forma de trabalhar perfeitamente alinhada com todos à sua volta.
Essa pessoa raramente existe. E talvez nem precise de existir.
As melhores equipas não são construídas com pessoas iguais nem com profissionais que fazem tudo. São construídas com pessoas diferentes, capazes de acrescentar valor de formas diferentes.
É aí que a complementaridade ganha importância.
Há quem tenha mais facilidade em executar. Quem consiga organizar. Quem questione. Quem aproxime pessoas. Quem veja soluções onde outros veem obstáculos. Quem traga estabilidade. Quem provoque mudança.
Nenhuma destas características vale muito isoladamente se estiver no lugar errado.
Da mesma forma, uma boa oportunidade no papel pode não ser uma boa oportunidade para todas as pessoas.
O encaixe acontece quando existe coerência entre aquilo que é necessário, aquilo que uma pessoa pode trazer e o contexto onde vai trabalhar.
Por isso, talvez a pergunta mais útil não seja:
“Esta é a melhor pessoa?”
Talvez seja:
“Esta é a pessoa certa para este lugar?”
A diferença parece pequena, mas muda a forma como olhamos para escolhas, equipas e percursos profissionais.
Porque o valor de uma pessoa não está apenas no que sabe fazer.
Também está no lugar onde tem oportunidade de o fazer bem.