Dois candidatos. Um tem exatamente a experiência que procuras. O outro não tem o percurso “perfeito”, mas demonstra capacidade de aprendizagem, pensamento crítico e uma forma de trabalhar muito alinhada com a função.
Quem escolherias?
A resposta nem sempre está no currículo.
Um CV ajuda-nos a perceber o percurso profissional, a experiência e a formação de uma pessoa. Mas há muito que fica de fora: a forma como resolve problemas, comunica, aprende, reage à mudança ou trabalha com os outros.
E isso pode fazer toda a diferença numa contratação.
Cumprir os requisitos não chega
É natural procurar candidatos que correspondam ao perfil definido: experiência no setor, determinados conhecimentos técnicos ou funções semelhantes.
Mas uma contratação não acontece numa lista de requisitos.
Acontece numa empresa, numa equipa e num contexto concreto.
Por isso, duas pessoas com experiências muito semelhantes podem ter resultados completamente diferentes na mesma função. E alguém que não reúne todos os requisitos pode trazer competências transferíveis, capacidade de adaptação e potencial para crescer.
Talvez a pergunta não deva ser apenas:
“Esta pessoa já fez isto?”
Mas também:
“Esta pessoa tem condições para fazer isto bem?”
Recrutar bem começa antes de receber os CV
Também é preciso saber exatamente quem se procura.
Quando o perfil da função não está claro, é fácil acabar por comparar apenas as pessoas disponíveis em vez de avaliar quem realmente faz sentido para a necessidade da empresa.
Definir responsabilidades, distinguir competências essenciais das que podem ser desenvolvidas e compreender o contexto da equipa torna a decisão mais consistente.
O CV continua a ser importante.
Só não deve contar a história toda.
Porque recrutar bem não é encontrar o currículo mais impressionante.
É perceber quem tem as competências, o potencial e a capacidade de resultar naquela função.